4 palavras

Já não era sem tempo ou os cartões do senhor Anderson

Setembro 4, 2007 · 6 Comentários

É, no mínimo, impressionante e assustador como o tempo nos molda e transforma o nosso pensamento e como isso tem tão pouca importância. O dia em que escrevo agora é um ponto mínimo na cronologia do universo e arredores. Amanhã já não será hoje e o segundo agora já não é este. É como digo, assustador. Não podemos reviver o momento que já passou. Se o quisermos rever gastaremos tempo a fazê-lo e assim o tempo que podíamos estar a utilizar em algo produtivo estaremos a utilizá-lo em processar informação que o nosso cérebro já processou. Estaremos a refazer algo que já nos proporcionou o gozo necessário.

 

 

 

Anderson era um homem de sucesso, alguém que tinha uma fortuna material e material. Não tinha, no entanto, o que mais desejava: o amor. E o amor para Anderson era algo que nunca tinha experimentado. Durante toda a sua vida tinha culpado o seu próprio visual, o desenho da face e do corpo, pela falta de sucesso na tarefa de arranjar alguém com quem partilhar a sua vida.

 

No dia 13 de Março Anderson deu entrada no seu local de trabalho. Entrou no elevador e subiu até ao sétimo andar na companhia de um outro colega de quem nunca soube o nome. Encaminhou-se até ao seu cubículo, o terceiro à direita e sentou-se na cadeira. Desviou o olhar para a secretária e abriu bem os olhos. Uma caixa de cartão estava mesmo à sua frente. Algo que seria normal numa empresa, mas Anderson achou estranho. Rolou a cadeira para fora do cubículo e inclinou-se. Ninguém olhava para ele nem sorria portanto, pensou, isso excluía a hipótese de ser uma brincadeira. Voltou a sua atenção de novo para a caixa de cartão. Não era muito grande, era baixa mas larga, assemelhava-se bastante a um cano mas de forma rectangular. Não tinha nenhuma inscrição ou algo que a identifica-se.

 

Anderson pousou a mala que ainda tinha na mão e abriu a caixa de cartão. Centenas de pequenos calendários caíram sobre a secretária. Azuis, castanhos, pretos, brancos, vermelhos, de todas as cores e desenhos mas todos com o mesmo tamanho. Anderson voltou a olhar para fora do cubículo mas desta vez para se assegurar de que ninguém tinha notado o barulho dos calendários a cair. Pegou em alguns e folheou-os: eram todos de anos diferentes, 1987, 1568, 1762… Anderson duvidava que já existissem calendários de bolso em 1568 ou em 1762 mas o mais surpreendente era que também existiam alguns de anos futuros. Na verdade, parecia que não havia fim ao número de calendários que estavam na secretária e as centenas iniciais pareciam agora ser milhares.

 

No meio deles estava o calendário do ano corrente, com o dia 13 de Março assinalado. Estava também uma carta no fim do monte de calendários e Anderson leu-a:

 

 

“Estes são os anos passados e futuros assim como o presente. Existem até calendários de antes de Cristo mas nenhum de antes da humanidade. Existe também o último calendário que pertence ao último ano da humanidade mas esse é o mais difícil de encontrar. A tua secretária está cheia destes pequenos cartõezinhos e parecem-te milhares não é verdade? Mas que a tua visão e egocentrismo não te iludam, são apenas um. Um bocado mínimo na quantidade de calendários do Universo. E se isso é verdade imagina os anos que pertencem à tua vida no meio destes todos que os humanos viveram e viverão. É extraordinário como se mesmo que tenhas todos eles na mão, se olhares para a secretária parecerá que o monte continua com o mesmo tamanho e só aí te aperceberás da pequenez que é a tua vida. Então para que vale viver com racionalidade? O que fazes hoje não influencia o passado nem influenciará o futuro. Quando falo em futuro falo em milhares de anos de distância a partir de hoje, porque se for visto numa perspectiva abrangente então o teu futuro não se distingue do ponto ínfimo que é o teu presente e o teu passado…”

 

 

Anderson não conseguiu ler mais. Além de confuso sentia-se atordoado e o seu cubículo parecia ser mínimo e apertado. Pegou na mala e saiu do seu local de trabalho dando a justificação ao chefe de que não trabalharia mais naquele dia devido a alucinações.

 

No dia seguinte, Anderson foi atropelado e faleceu imediatamente a seguir a choque.

 

Assim morreu o único homem que alguma vez soube a verdade, mas que nunca a percebeu…

Peço desculpa a todos aqueles que achem este texto confuso, incompleto ou desorganizado mas a ideia que me atravessou no momento da escrita apavorou-me e é a mesma que confundiu o senhor Anderson.

 Ass: Sousa

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olá!

Agosto 24, 2007 · 2 Comentários

Olho a janela e dá-me vontade de saltar. Vou até ao delicado feixe de luz ao qual é permitida a entrada neste espaço, e deixo-me invadir pela sensação de liberdade que poderá um dia trazer. Desejo voar. Fecho os olhos. Ganho asas. Salto.

  

“Cá fora o mundo é bonito. Tem cor. Já não via cores há muito tempo, com excepção das do pequeno raio que me costumava fazer companhia. É bom o mundo. Lá em baixo avisto pessoas como eu que, na realidade, nunca saberão o que é ser-se como eu. Talvez nunca saibam sequer quem sou eu. Gostava de tocar-lhes. Será que é tão bom como parece? Será que sabe como me sabia aquele raiozinho de luz que vivia para mim? …E que agora está sozinho porque o abandonei… Será que está triste? Não. Deve estar feliz por mim. E se não estiver? Mas o mundo cá fora é tão bom…Ele não precisa de asas para voar. Porque não salta a janela também? Porque não fecha os olhos como eu e se deixa levar?”

  

Quatro paredes. Bem lá no alto, uma janela minúscula com visão para o céu. Por ela entra um raio de luz plangente, talvez o único que alguma vez verei. Cubículo. Desejava não ter aberto os olhos. Ainda cá estou. Ainda aqui [não] sou. Aconchego-me no meu canto, procurando conforto na parede fria que me ampara as costas. Busco a perfeição onde sei que não a vou encontrar, porque sei de igual forma que não tenho onde mais a procurar. Fecho os olhos de novo. Quero o mundo de novo.

 Demanda pelo sonho. Bastou fechar os olhos e era livre. Abri-os e os muros que limitam quem sou permaneciam lá. Ser livre é ultrapassá-los. E eu não sei ir mais além.

 

**

 

Primeira palavra ao mundo pela voz de Shech[q]o.

 

 Novo cubículo. Partilhado. E parece-me que nele vou encontrar alguma [muita] liberdade.

 

 Olá mundo. Olá cubículo.

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Hi there!

Agosto 10, 2007 · 5 Comentários

É tempo de juntar as marionetas e criar o teatro!

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rascunho inicial

Agosto 10, 2007 · 3 Comentários

 

4, A raiz de todas as coisas.

A Terra em sentido cósmico – o espaço terrestre. Os quatro elementos fundamentais; quatro qualidades essenciais; quatro pontos cardeais.

4 escritas, 4 vidas, 4 palavras…1 único blog!

“Todos nós, vos saúdam”, dizemos em coro a todos os visitantes deste nosso “restaurante da escrita”, onde como gorjeta apenas pedimos que deixem a vossa marca, comentem!

 

Be Welcome Stranger,

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Olá Mundo!

Agosto 10, 2007 · 10 Comentários

Tudo bem por aí? Por aqui também. Vai-se fazendo coisas, tu sabes. Já agora, diz-me uma coisa mundo: porque é que a vida é sempre tão complicada? Eu sei, eu sei, são perguntas infantis e provavelmente já respondeste infinitamente às mesmas, mas mesmo assim. Existe um Deus? Existe vida após a morte? Existe aquilo a que chamamos de perfeição? Alguma vez a poderemos alcançar?.

Não sabes responder pois não? Embora possam ser feitas por crianças de dois anos, estas perguntas não podem ser respondidas nem pelo mais sábio dos homens. E se puder, então chamem-me de ignorante. Mas nada muda o facto de muitos de nós quererem não cá estar e ser outros noutros corpos.

A vida é algo de único, e é a incerteza que nos é posta que a torna especial. Por favor, não nos confundam com amantes da felicidade, não, somos precisamente o contrário. Queremos tudo e agora, pelo menos eu. Mas como não pode ser assim, que fiquemos com as nossas vidas do dia-a-dia.

Hoje sempre nos podemos deitar e, se não tivermos ninguém a nosso lado, culpar o destino e dizer “é a vida”!

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Hello world!

Agosto 9, 2007 · 3 Comentários

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